Doação Ao BLOG

https://www.paypal.com/cgi-bin/webscr" method="post" target="_top">pl.pires@bol.com.br">https://www.paypalobjects.com/pt_BR/BR/i/btn/btn_donateCC_LG.gif" border="0" name="submit" alt="PayPal - A maneira fácil e segura de enviar pagamentos online!">

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O legado de Abraão








http://super.abril.com.br/historia/saiba-o-que-a-ciencia-ja-descobriu-a-respeito-do-abraao-historico


O legado de Abraão

De acordo com a Bíblia, Abraão morreu aos 175 anos de idade e foi enterrado por seus filhos Ismael e Isaac onde estava o túmulo de Sara, nos arredores da cidade de Hebron. Seu legado espiritual independe da existência histórica. Para milhões de fiéis no mundo todo, basta o exemplo de fé e obediência do patriarca. “Abraão introduziu o revolucionário conceito de monoteísmo ético”, diz o rabino Henry Sobel, da Congregação Israelita Paulista. “Ético porque acreditar em um único Deus exige assumir a igualdade entre todos os filhos dele. Todos os povos, portanto, são iguais. E, embora tenhamos um único Deus, Deus tem mais do que um único povo.”

Para o psicólogo Henry Abramovitch, da Universidade Tel Aviv, em Israel, a saga de Abraão foi uma verdadeira viagem em busca do autoconhecimento – que ainda se mantém como fonte de inspiração para muita gente. Abramovitch, cujo nome em russo significa “filho de Abraão”, escreveu o livro The First Father (“O primeiro pai”, ainda sem tradução em português), no qual traça um estudo psicológico sobre o patriarca. “Ele tinha tudo e deixou esse tudo a fim de buscar um novo destino. As palavras do chamado divino, em hebreu Lech Lekha, podem ser lidas literalmente como ‘Vá para si mesmo’”, afirma o psicólogo. “Assim, ele se torna o protótipo da jornada ao conhecimento de si mesmo e da individualização.” Abraão não é um homem que simplesmente segue ordens. Pelo contrário, ele ensina como estar em contato com o self, o âmago de si mesmo.

Uma das passagens mais célebres da história do patriarca, o sacrifício de Isaac, inspirou o filósofo dinamarquês Sören Kierkegaard a refletir, na obra Temor e Tremor, sobre o que é a fé. O livro lançou as bases para uma nova teologia no século 20, voltada ao mesmo tempo para a transcendência e a ação no mundo. “Abraão acredita que deve obedecer a ordem divina e sacrificar seu filho, mas tem a certeza de que Deus não vai abandoná-lo”, diz o filósofo e cientista da religião Ricardo Quadros Gouvêa, da Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo. Situação a princípio absurda, Kierkegaard parte daí para concluir que a fé vai além da capacidade da razão, não se resume à ética e aos valores universais e, especialmente, exige um engajamento no momento presente. “Abraão sabia que teria Isaac de volta. Demonstrou, ao mesmo tempo, desprendimento e compromisso”, afirma Ricardo.

Na mística islâmica, o patriarca representa um símbolo da busca pelo centro de si mesmo. Ele é o amigo íntimo de Deus, o jovem herói que destrói os ídolos internos e instaura a unidade de cada indivíduo. “A característica essencial de cada ser humano é a ligação com o sagrado. Você é um jeito de Deus aparecer – isso é monoteísmo, o um que está presente em cada pessoa”, diz a psicóloga Beatriz Machado, da USP, que pesquisa as obras do mestre sufi Ibn ‘Arabî. Para os estudiosos da Cabala, a mística judaica, Abraão também apresenta aspectos simbólicos. “Ele está relacionado à expansão de fronteiras, à superação das próprias limitações e ao princípio de que tudo está relacionado com tudo”, afirma Roberto Natan, professor de meditação cabalística na Academia de Cabala Rav Meir, no Rio de Janeiro.

A unidade é um tema recorrente quando o assunto é Abraão. Primeiro, porque ele é considerado pai espiritual das três grandes tradições monoteístas. Depois, por deter, de acordo com o relato bíblico, a paternidade biológica de judeus, por meio do filho Isaac, e de árabes, pela linhagem do primogênito Ismael. A ciência vem agora corroborar essa tese. Uma pesquisa, realizada em conjunto por cientistas de cinco países, entre eles Estados Unidos e Israel, mostrou que palestinos, sírios, libaneses e judeus têm forte parentesco genético entre si. O estudo, que comparou o DNA de 1 300 homens árabes e judeus de 30 países, revelou também que esses povos possuem um ancestral comum, possivelmente os semitas ocidentais, que teriam habitado o Oriente Médio há pelo menos 4 mil anos. Seriam todos eles descendentes do mesmo patriarca?

Enquanto os cientistas ainda não têm a resposta para tal pergunta, judeus, cristãos e muçulmanos continuam a buscar cada qual o “seu” próprio Abraão. Em cada crença, um aspecto do patriarca é ressaltado. “Abraão pode ser comparado a um moderno meio de comunicação que apresenta diferentes mensagens, de acordo com os paradigmas de cada religião e cultura”, afirma Reuven Firestone, especialista em judaísmo e Islã do Hebrew Union College, nos Estados Unidos. “Mas ele pode ser também a ponte entre as três tradições. Afinal, Abraão é um legado de todos.” Firestone lembra o capítulo 18 do Gênesis. O patriarca está diante de sua tenda, descansando, quando percebe a chegada de três homens. Hospitaleiro, recebe-os com distinção. Não pergunta quem são nem se têm dinheiro. Simplesmente lhes oferece pão, leite, manteiga e um novilho preparado na hora. “Eis uma herança de Abraão: o exemplo de acolhida e hospitalidade”, diz Firestone. Que todos os filhos sejam bem-vindos na grande tenda do patriarca.http://super.abril.com.br/historia/saiba-o-que-a-ciencia-ja-descobriu-a-respeito-do-abraao-historico

Nenhum comentário:

Postar um comentário